DIVERSEartLA e o papel das bienais no ecossistema da arte contemporânea

Na sua 31ª edição, a LA Art Show retorna ao Los Angeles Convention Center, de 7 a 11 de janeiro de 2026, reafirmando sua relevância no calendário internacional de feiras de arte. Sob a direção e produção de Kassandra Voyagis, o evento reunirá mais de 90 expositores, mas é em sua plataforma não comercial, DIVERSEartLA, que se concentra uma das reflexões mais consistentes desta edição.
Com curadoria de Marisa Caichiolo, o programa retorna com o tema “As Bienais e as Instituições de Arte no Ecossistema Contemporâneo”, propondo uma análise crítica sobre como a arte circula, se transforma e ganha significado por meio das grandes bienais internacionais e das instituições culturais. Enquanto as bienais funcionam como laboratórios de experimentação e intercâmbio interdisciplinar, as instituições oferecem continuidade, preservação e aprofundamento histórico. Juntas, formam um ecossistema dinâmico e responsivo às transformações do mundo contemporâneo.
Em um contexto de rápidas mudanças sociopolíticas — especialmente visíveis na América Latina — as bienais continuam sendo espaços essenciais de pensamento crítico. Questões como migração, memória, extrativismo, comunidade e sustentabilidade emergem como eixos centrais, reforçando o caráter temporário e site-specific dessas exposições como reflexo da urgência e da fluidez da prática artística atual.
Segundo Caichiolo, desde sua fundação em 1895, a Bienal de Veneza permanece como o modelo mais influente. No pós-guerra, bienais e trienais em cidades como São Paulo, Istambul e Joanesburgo ampliaram a representação global, incorporando crítica social e mídias experimentais, ao mesmo tempo em que lidavam com tensões relacionadas à inclusão, ao mercado e à diplomacia cultural.
Nesta edição, o DIVERSEartLA apresenta cinco instalações artísticas, além de uma apresentação em vídeo dedicada a bienais internacionais de destaque. Entre os projetos apresentados, destaca-se Marcos Ramírez ERRE, figura fundamental nas práticas culturais de fronteira, que revisita sua participação em bienais entre 1997 e 2014, revelando como temas do passado permanecem urgentes no presente.
A instalação AGUAS, de Eugenia Vargas Pereira, vinculada à Bienal de Casablanca 2026, propõe uma experiência comunitária centrada em ritual, memória ambiental e cuidado ecológico. Já The Roads in You, de Yoon Chung Han, associado à Bienal de Gwangju, utiliza tecnologia biométrica, processamento de imagem e inteligência artificial para criar conexões entre o corpo humano e os ambientes que habitamos.
A obra Forest Memory, do coletivo argentino La Rueca, vinculada à World Textile Art Biennial (Miami), aborda o desaparecimento das florestas por meio de uma instalação têxtil e audiovisual que funciona simultaneamente como memória e alerta ambiental. Por sua vez, Land-escape and the Aura of Distance, de Arden Bendler Browning, apresentada pelo Tephra Institute of Contemporary Art, explora realidades híbridas e ansiedades climáticas por meio de ambientes virtuais derivados de esboços de viagem.
Complementando o programa, uma apresentação em vídeo destaca seis bienais internacionais — NYLAAT (Nova York), Cuenca (Equador), NOmade, SACO (Chile), World Textile Art Biennial (Miami) e Bienal de Gwangju (Coreia) — reforçando seu papel fundamental na configuração do ecossistema global da arte contemporânea.
O DIVERSEartLA também presta homenagem à próxima participação do Chile na 61ª Bienal de Veneza, com a obra Inter-Reality, de Norton Maza, co-curada por Marisa Caichiolo e Dermis León.
Mais do que um recorte expositivo, o DIVERSEartLA se consolida como um espaço de pensamento, onde bienais e instituições são compreendidas não como forças opostas, mas como estruturas interdependentes que moldam a circulação, a leitura e a permanência da arte contemporânea no mundo.
LA Art Show 2026
Los Angeles Convention Center
7 a 11 de janeiro de 2026
Programa curatorial: DIVERSEartLA


Entre o efêmero e a permanência

Ao articular bienais e instituições como forças complementares, o DIVERSEartLA revela como a arte contemporânea se constrói entre experimentação, memória coletiva e responsabilidade cultural.









